Primeira noite na nova casa

Minha cabeça não para. São muitos pensamentos ao mesmo tempo. Estou deitada na nova cama, na nova casa e no novo bairro. O sentimento desse momento não é o que eu esperava. Eu sabia que ia sentir um pouco de medo, mas não sabia que ia ficar tão agitada assim. Eu achei que seria mais ação. Mais euforia e menos estagnação.

Não vou conseguir dormir tão cedo pois o processo de mudança foi cansativo, então eu dormi a tarde toda. Está frio e aqui é confortável, mas meus pensamentos mudam de um a outro em menos de um segundo e isso está me deixando nervosa.

Estou ansiosa para saber como é acordar aqui. Fazer café, tomar banho, ler e sair pro trabalho… Estou ansiosa para ver como a minha produtividade vai aumentar. Não tenho mais desculpas para procrastinar. Aqui tenho meu espaço e tranquilidade para trabalhar.

Antes de pegar o laptop para escrever, eu estava deitava olhando pro teto com a minha mente a mil por hora. E assim que pensei em escrever, pensei também porque não peguei o laptop logo, antes de quase surtar com tantos pensamentos.

Eu sei que essa foi uma decisão e tanto. Uma mudança brusca na minha rotina e na minha vida. Agora sou eu e eu por mim. É a minha chance de fazer dar certo. De realizar tudo o que eu venho planejando e planejando; um loop de planejamento sem fim.

Vai dar tudo certo.

Quando a falta de clareza paralisa

Hoje. Mais um dia em que coloquei o despertador para tocar antes das 6 sem ter planejado nada na noite anterior – reflexo dessa minha fase de total falta de metas. Fiquei em pé na beira da cama, batendo o pé de leve por alguns minutos antes de decidir o que fazer: ler? Estudar? Escrever no blog? Optei pela última atividade por ser a que me exige menos preparação e esforço.

Eu prometi que não iria me livrar de nenhuma tentativa de texto mesmo que esse aqui, por exemplo, terminasse nesse segundo parágrafo e sem nenhum assunto importante declarado. Preciso entender que todo e qualquer momento em que eu decido abrir uma folha em branco, é a minha mente querendo falar e me dar mais uma oportunidade de clareza.

Falando em clareza, nesse momento estou em frente a uma bifurcação e a falta de clareza está me impedindo de decidir qual caminho tomar. Qual das minhas duas grandes paixões eu quero transformar em carreira? Eu sei que com foco, paciência, amor e dedicação eu consigo me manter financeiramente, seja qual for a minha decisão. Mas o medo não me deixa decidir. Medo de abrir mão da opção que me faria mais feliz, medo da demora para ter resultado, medo de não dar certo e ter que encarar outra bifurcação mais uma vez. E por fim, medo das consequências da minha própria decisão.

Decisões… Mudanças… O futuro…

Eu adoraria dizer que sou uma mulher-muito-bem-resolvida-obrigada e que a incerteza sobre o futuro não me assusta nenhum pouquinho. Queria poder afirmar em voz alta pra mim, e pra todos que eu até gosto dessas coisas, e que apreciar o risco está no meu DNA empreendedor. Piada. Eu me borro toda, essa é a verdade.

A questão aqui é que apesar de parecer, eu não tenho mais 13 anos. Ninguém vai pegar na minha mão e mostrar o que fazer. Eu sei que é normal sentir medo, mas sei também que quando o medo começa a paralisar, é sinal que já passou da hora de rever as coisas – o perigo está instaurado.

A zona de conforto seduz facinho um coração indeciso e em troca ela nos dá o risco de não sair do lugar. E aí pegamos o risco com as mãos, observamos de perto, reviramos ele de todas as formas a procura de uma razão pra não deixarmos a zona de conforto. Aceitar a mediocridade é a decisão mais fácil porque nos poupa energia, mas esse negócio de poupar energia é o modus operandi do nosso cérebro – e isso é outra armadilha que  precisamos evitar.

Não sou o tipo de pessoa que só dá ouvidos ao coração, deixando o cérebro de lado. Mas já sei que um cérebro em modo automático não é inteligente, e sim prático. Ele tende a escolher a opção de menor consumo de energia. E se tem uma coisa que consome nossa energia é enfrentar os nossos próprios medos; decidir e encarar os desafios e consequências da nossa decisão.

Então… Vamos lá, né? Porque como diz meu querido pai, eu não estou ficando mais nova a cada dia – eis um encorajamento carregado de pressão, mas que faz todo o sentido. Não preciso correr contra o tempo para decidir, minha vida não depende disso, mas meus sonhos e a minha paz de espírito sim.

Prometo que até o próximo sábado vou estar entrando por um dos caminhos dessa bifurcação.

See u

Lu ❤